quinta-feira, 12 de setembro de 2013



PRA SEMPRE

Não tenho nem mesmo um retrato seu pra olhar quando a saudade bate em meu peito.
Não importa muito, porque o tenho guardado n’alma.
Seus olhares, seus sorrisos, suas palavras.
Tudo eu guardo com muito carinho.
Cada instante ao seu lado, cada conversa que tivemos. Cada momento que dividimos.
Os toques...
Os arrepios que sua presença me desperta.
Se isto não é amor desconheço o que seja este sentimento.
Sempre o quis, desde o primeiro instante.
Meu intenso querer não é o bastante?
Em verso e prosa vivo a declarar meu amor.
Falo com todas as letras, ao vivo e a cores.
Porque esconderia um sentimento tão pleno? Não vejo razão para esconder.
O desencontro de certa forma tem marcado nossa estória.
Uma inadequação a tempo e hora.
Eu sempre quis lhe mostrar a felicidade que poderia encontrar em meus braços.
Se você deixasse! Mas parece temer este nosso amor.
Parece se assustar com sua força.
Queria tanto que se entregasse inteiro. Que esquecesse o amanhã. Ele pode nem chegar.
Queria tanto nada mais desperdiçar.
Não deixar se acabar o que veio para nos alegrar. Para nossa vida enfeitar.
Mas sozinha não tenho forças.
Vivo a lhe esperar.

sonia delsin 


RELATOS DE UM TEMPO DE DOR...


No meu diário gravei as dores que sua ausência me causou.
A distância que me matava um pouquinho a cada dia.
Meu peito sangrava a cada palavra que eu lá escrevia.
Ferido por um espinho profundamente enfiado meu ser sofria.
Cada vez ele chegava mais no fundo.
Tive um pesar profundo.
Tinha febres, delírios.
Busquei alcançá-lo só com a força de meu amor.
E não bastava.
Eu não o alcançava.
Eu podia arrancá-las todas.
As páginas borradas com minhas lágrimas.
Eu podia esquecer que as tinha escrito,
Mas como se elas
estavam também gravadas em min’alma?
Nas minhas recordações.
Nas noites mal dormidas.
No amanhecer que mal despontava e me pegava caminhando.
Cada vulto era um pouco de você que me chegava.
E você não vinha.
Tantas promessas tinha me feito.
Era tudo uma fantasia.
Utopia da minha mente prodigiosa.
Quis contar em verso e prosa de meu amor...
E doeu...
As palavras no diário parecem ter sido escritos por outra pessoa... não eu...

sonia delsin 


MELHORAS, AMIGO

Eu te aconselhei.
Amigo, te cuida.
Falei.
Cuidado com este coração.
Falei.
Não abusa não.
Para que tanta preocupação?
Amigo.
A vida é bela. Tem gente que come na tigela.
Tem quem nem tem tigela.
Ainda assim a vida é bela.
Ir parar na UTI te serviu como lição?
Agora é a recuperação.
Pense com carinho nas palavras que eu te digo.
Te quero tão bem. És meu amigo.

(Este amigo já partiu... e foi justamente uma doença cardíaca que o levou)


sonia delsin 


CARTA A QUEM SILENCIA

Teve um tempo que me falavas tanto, tanto, tanto.
Dizias que eu não te compreendia, que eu não parava para pensar no que estavas a me falar.
Engana-te. Eu tudo ouvia. Cada palavra tua eu bebia.
Naquele tempo parece que tinhas tempo. Me dedicavas teu tempo.
Mas tudo muda. A vida não é imutável.
Fazemos parte de uma grande viagem.
Muito grande mesmo. Viajamos pelo infinito de mãos dadas, já nos perdemos, nos reencontramos. Novamente nos perdemos, encontramos de novo... e acho que nos perdemos.
É deste jeito que a vida age com quem muito se ama? E nos amamos (será que só eu sei disso? – acho que sim)
Certa vez me disseste algo que me marcou a alma. Foi dito num conto. Dizias que era fantasia, mas é para mim um contraposto.
Tem horas que recordo certas coisas e sinto um desgosto.
A vida age a seu gosto.
Dizias assim: que os dois amantes sempre estariam dependurados entre o real e o sonho.
Falavas que era a sina dos personagens e me incorporei na mulher da história. E tu eras o homem.
Tu, meu amado, que te esquivas sempre.
Escorregaste quando eu te apontei uma montanha. Uma casa... um pinheiro.
Lembro de tanta coisa.
Tudo fantasia? Minha? Tua?
Outro tempo...
Diriam que enlouqueci de amor naquele tempo.
Não sei se foi de amor, ou foi a lembrança de tanto amor.
Mas, aqui estou. Enquanto silencias, sou só eu a falar, a falar, a falar...
Estás em algum canto a me escutar?
Estás. Sei que estás. Mas te assusto.
O passado pesa tanto que te assombra.
Somos uma sombra que um dia diante do espelho arrepiou toda.
Somos esta sombra de ontem... te garanto que somos.
Mas hoje não aguentamos o peso do que a vida diz.
E ela não se aquieta como tu. Ela diz... é, a vida diz...
E uma hora será que também me aquietarei?
Confesso que não sei.

sonia delsin 


OLHOS  DE  MENINA

Além de mim há tantos outros seres vivendo.
Tantos que não consigo nem mesmo imaginar.
Quantos serão sonhadores como eu?
Quantos gostarão de ler, de escrever?
Quantos se sentirão sozinhos numa noite igual a esta?
Meu Deus!
O que é viver?
Às vezes não compreendo.
Eu tento e não consigo.
Quero entender a vida, a morte.
O porquê.
Mas a vida vai passando e vai me carregando.
Carregando...
Minha matéria envelhecendo.
Meu espírito tão jovem, sempre jovem.
Sonhando... sempre sonhando...
Meus olhos de menina olhando o mundo que nunca envelhece...

sonia delsin 


PARA O DIA NASCER MAIS LINDO

Acordo no meio da noite.
Toco o lençol, a maciez do tecido.
Acaricio meus cabelos.
Minha face... a pele macia.
Os dedos escorregam para meu colo, descem mais.
Penso que a vida é algo tão leve.
Como meu corpo sobre a cama.
Fico lembrando passagens de meu viver.
Fico imaginando um rio a correr.
A deslizar por entre samambaias, avencas.
Vejo árvores lindas, com flores em pencas.
Vejo um pássaro se esponjando no galho.
Um homem entretido no trabalho.
Um moinho.
Ah, e sinto um cheiro!
Não o cheiro do travesseiro.
Cheiro do passado.
Do café coado.
Ouço vozes, risos...
Vejo crianças, animais.
Vou sentindo uma paz, uma paz.
Para o dia amanhecer mais lindo volto a dormir sorrindo.

sonia delsin 


PARA PODER SONHAR
 
Eu daria a vida.
Eu daria a vida se preciso fosse.
Para realizar um sonho de menina.
Uma menina que sonhava grande.
Que encostada a uma árvore conseguia atravessar o espaço.
E conseguia alcançar o céu e as estrelas.
Conseguia ultrapassar os limites não permitidos.
E sem pedir licença falava aos deuses.
Uma menina que tinha nos olhos faíscas de luzes.
Uma criança que, às vezes, deixo morrer dentro de mim.
E que tento com todas as forças buscá-la
para encontrar de novo a coragem de sair de mim.
De voar de encontro aos meus sonhos.
De chegar às estrelas.
De sentir sensações extras.
Encontrar o êxtase.
Preciso da menina que havia em mim para
continuar sonhando.
Para poder colorir meu mundo.
Fantasiar, imaginar, rodopiar.
Ah! Como eu preciso daquela criança inocente
que era mais corajosa que eu!
Não posso nunca deixá-la ir-se de mim...

sonia delsin