UMA
CARTA DE AMOR
Dia destes encontrei uma carta jogada numa
calçada.
Eu caminhava e vi a carta aberta.
Parei bem sobre ela e vi que começava com meu
amor.
Romântica como sou corri a ler.
Não citava o nome da moça, mas estava
assinada por um tal de Paulo.
Ele falava de amor de uma forma que me tocou.
Pensei: como este homem amou.
Ou ama.
A carta tinha uma data sim. De dois anos
atrás.
Será que tanto amor se acabou?
Ele pedia na carta uma nova oportunidade.
Será que a sua amada deu esta outra chance a
ele?
Ele se dizia arrependido.
Era o perdoara?
Fiquei com a carta na mão. Meio suja de
terra, mas com palavras tão lindas.
Senti vontade de guardar.
Não me pertencia e então a joguei na calçada
no mesmo lugar que encontrei.
Segui pensando no tal Paulo e numa mulher que
nem o nome eu fiquei sabendo.
Foi tão amada. Pelo menos a carta parecia tão
sincera.
Segui pensando no amor... nas cartas de amor,
e cantarolei baixinho.
Segui
meu caminho.
sonia delsin

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