quinta-feira, 12 de setembro de 2013



SUA MENINA

Pai, você queria que tivesse nascido um menino.
Normal. Nada mais normal. Era a segunda menina que chegava.
Ninguém nunca precisou me dizer isso.
Seus gestos todos e seus olhares diziam...
Nas vezes que íamos pescar...
Quem imaginou que tão amigos íamos ficar?
Pai, em vez do menino que esperou uma menina lhe chegou.
Uma frágil borboleta.
Mas uma menina espoleta.
E como você sempre amou a sua borboletinha.
O que você nunca soube, meu querido, é que eu não era frágil como parecia.
Minha vida foi poesia.
Se nem sempre foi alegria... eu já sabia...
Eu escolhi ser assim.
O vento que passa me contou baixinho.
Uma estrela também...
Um amigo...
Um anjo...
Todos vieram me dizer.
Pai, eu sinto você tão perto.
Sinto que tantas vezes está acompanhando meus passos.
Seu não olhar não me abandona e nele eu descanso.

Você é meu remanso.

sonia delsin 

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