quinta-feira, 12 de setembro de 2013



ARISTIDES

Negro dos olhos tristes. Estavas sempre por perto. 
Estavas sempre trabalhando e quando seus olhos se voltavam para meu pai eu via adoração neles.
Sim. Você amava a  nossa família e principalmente o meu pai. 
O Italiano gostava tanto do nosso negro trabalhador, do nosso negro quieto.
Lembro bem de você acocorado descascando espigas de milho. Lembro bem do seu chapelão, da sua grande mão.
Há horas em que me pergunto: Como conseguimos guardar tanta gente no coração? 

sonia delsin 



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